Bolha

Porque a minha história não podia ficar sem pontuação...

Segunda-feira, Julho 13, 2009

O biquini preparava-se para a estreia anual.
Como havia um ano que não via a luz do sol, fechado no escuro de uma malinha com outros da sua mesma espécie, entrou no Verão 2009 meio a medo, sem saber qual o estrago que 200 e picos dias de muita sombra e bons pratos tinham feito ao corpo que costumava usar.
Assim, resolveu inaugurar a época balnear numa piscina de aldeia, onde as gentes são menos, nenhuma conhecida e mais fáceis de agradar.
No Sábado marcado desembolsou os dois euros de bilhete de entrada e fez-se à relva que do lado de lá o esperava.
Procurou apoio nos chinelos, sempre solidários nestas ocasiões e, enquanto se ia livrando do vestido, fazia figas para que o pesadelo da noite anterior, em que tinha um ataque de ansiedade numa praia à Marés Vivas, se ficasse pelos suores frios e olheiras.
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Diagnóstico: o corpo branquinho, branquinho, encandeia quem passa quando o sol reflecte nele. Visto de frente, sempre que uns óculos de sol o permitam, não faz má figura, mas os perfis são de evitar. Flácido q.b., com a celulite a passar mais ou menos desapercebida.
O corpo não envergonhou, mas o biquini deu por si a sucumbir ao peso dos meses e do cloro quando entrou em contacto com a água...
Aparentemente não será o biquini a reformar o corpo, será o corpo a reformar o biquini.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Olha a metáfora fresquinha!!


Quarta-feira, Julho 01, 2009

Se o talento falta, mas a vocação é muita, a quem devemos ouvir?
No meu caso, o árido talento gritou mais alto.
E foi assim que se perdeu uma cantora. Se pimba, se pop-rock, ficou por saber.
Talvez por ser filha de um homem que passa os dias no café, sem que o facto de ser o dono do café lhe sirva de desculpa, assim que comecei a andar comecei a dar espectáculo em lugares em que o convívio se serve regadinho com um tinto.
Ao lado da casa da minha ama ficava um taberna.
Uma taberna à séria, com pipos de vinho por mobília, abóboras gigantes por bibelôs e chouriça assada por ementa.
Taberna de uns parentes afastados em que toda a clientela era conhecida.
Pois era nessa taberna, onde era raro o dia em que não parasse, ou porque ia até lá com os meus pais, ou porque passava à porta, ou porque dava uma corrida até lá para ir brincar com o filho da taberneira, que tinham lugar as minhas performances.
Fazia de uma das garrafinhas em miniatura que estavam em cima das mesas com os palitos o meu microfone e começava a cantar, correndo todo o meu repertório de música popular, Marco Paulo e desenhos animados (ainda que o meu francês fosse muito enrolado). Quando terminava e sob o aplauso entusiasta dos muitos mecânicos e reformados, que já conheciam o meu alinhamento de gingeira, agradecia com grandes vénias e, de quando em vez, recebia até uns rebuçados, que guardava para o Domingo, único dia da semana em que estava autorizada a comer doces.
Quando tinha cinco anos a taberna mudou de donos e, pouco tempo depois, fechava portas.
A taberna desapareceu e a vocação, acicatada pelo penoso talento incapaz de arranjar outra freguesia, fez as malas e mudou-se.

Sábado, Junho 27, 2009

E há quem ouse dizer que tenho a mania de aparecer nas fotos? Isso é uma insinuação maldosa! Quem tem a mania de aparecer são as minhas pernas...

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Eu não tenho um disco. Eu nunca vi um concerto.
Mas hoje sinto-me orfã.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Crónica do Expresso III

Não era invulgar ver um Expresso cheio de gente com folhinhas nas mãos. Sobretudo lá pelos meses de Junho, merecedor do plural porque custava a passar mais que os três meses anteriores juntos.
No tempo morto que durava uma viagem as desculpas para não fazer uma última revisão dedicada aos exames, que de braços abertos nos esperavam à chegada, eram fracas.
O Expresso ainda mal tinha feito a curva da rodoviária e já estava a maioria entregue a apontamento ilegíveis e a dar para o amarrotado.
O altercado de instantes antes perturbara menos que o sol a bater forte nas janelas.
Um sujeito que se sentara nos bancos do fundo tão depressa acendera o cigarro como fora convidado a sair caso não o apagasse.
O cigarro acabou por ficar apeado.
Eu chegava ao final da primeira página de apontamentos quando o Expresso foi mandado parar por um semáforo bem no centro da cidade.
O semáforo esverdeou, mas o Expresso não arrancou. Arrancou sim o senhor motorista, esbaforido porta fora.
Sim, novamente um motorista em fuga, à velocidade que as pernitas lho permitiam e sem qualquer explicação.
Bem, pensei eu, pelo menos desta vez é de dia e estamos dentro da cidade.
Porém, não tive sequer tempo para me levantar. O motorista, embora perna curta, era lesto. E já estava de regresso.
Trazendo com ele mais que os seus dedos em polícias, tão lestos quanto o próprio.
Os senhores agentes sacaram das pistolas e rodearam o Expresso, que por aquela altura, cercado, já prendia os olhares de todo o domingueiro.
Inicialmente os passageiros ficaram alarmados porque o Expresso não tinha WC para evacuar os apontamentos, no caso de ser uma rusga da brigada anti-cábulas.
Depois mais alarmados ficaram quando os viram sacar da artilharia.
Mas o pânico instalou-se de facto quando a atenção do final de Domingo caiu inteirinha sobre nós, sem que os óculos de sol nos pudessem esconder de tanto olhar.
Dois minutos depois os senhores polícias desamparavam-nos o Expresso, levando com eles o simpático cavalheiro que, não podendo sacar do cigarro sacara de uma arma, que só o motorista vira pelo espelho retrovisor e que, por sinal, era de brincar.

Digamos que no resto da viagem se estudou pouco...

Fim da Crónica do Expresso (é uma trilogia, não uma novela)

Domingo, Junho 21, 2009

Coisas estranhas que podem acontecer na aldeia:
1 - Regar árvores até às 10 e meia da noite - coisa que pode acontecer se estivermos a fazer pãozinho no forno até às oito e pico, se pararmos na mercearia para comprar manteiguinha para o dito pãozinho e se as árvores tiverem por vizinho um candeeiro público.
2 - Dar por mim preocupada não com o facto de estar pendurada num poço a tirar baldes de água, mas com as abelhas por cima da água - coisa prontamente resolvida por uma simpática rã que se abeirou de mim e pôs a abelhagem em fuga.

Ele há coisas... que só na aldeia.